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Publicado na Gazeta Mercantil

Economia que vem do chão de fábrica

ABB cria sua própria cadeia de transferência de conhecimento com a orientação da
Philip Crosby Associates II

São Paulo, 15 de Maio de 2002 - Pelos corredores da fábrica de Guarulhos, em São Paulo, da multinacional ABB, de capital sueco e suíço, estão espalhadas dezenas d e cartazes e faixas que incentivam a qualidade na empresa. Foi a forma encontrada para difundir suas metas e objetivos - cumprir prazos de entrega, aumentar a produtividade, eliminar falhas no ensaio e produzir transformadores sem vazamento - em todos os cantos da fábrica

As mensagens fazem parte de um programa que já atingiu uma economia de US$ 630 mil desde 2001, quando foi implementado. Em contrapartida, foram investidos, até agora, R$ 422 mil. A previsão é investir pouco mais de R$ 100 mil até o fim do ano para atingir uma economia total de US$ 1,8 milhão.

ABB - Blumenau
Os participantes do Curso de Gerência do Processo para a Melhoria da Qualidade da ABB em Blumenau

Com o programa, a empresa - uma das líderes mundiais em engenharia elétrica -, quer dar conhecimento a seus funcionários para que eles próprios saibam como analisar problemas e ter espaço para iniciativas criativas. “Oferecemos subsídios para que os empregados melhorem técnica e pessoalmente os processos”, diz Mário Alonso, gerente de qualidade da divisão de produtos de tecnologia de potência da ABB.
O programa de qualidade implantado na multinacional é baseado numa cadeia interna de transferência de conhecimento. Alonso explica que a empresa não contrata consultores externos porque acredita que é importante manter uma linguagem comum incorporada em todo o pessoal.
Primeiro, todos os gerentes da empresa participaram do curso de direção do “Processo para a Melhoria da Qualidade” (PMQ). Essa foi a única fase em que os profissionais foram buscar o conhecimento em um curso externo. Nela, os executivos responsáveis pela estratégia da empresa aprendem como solucionar problemas e se tornam consultores dos níveis hierárquicos mais baixos.
Depois do curso, os gerentes se tornam os instrutores do chamado “Sistema de Educação para a Qualidade” (SEQ), onde funcionários administrativos aprendem padrões de qualidade
e como resolver problemas nos sistemas. É nessa parte que pessoas de diversas áreas interagem com outros campos de ação. No final, cada grupo apresenta um projeto que integra diferentes processos. Dois deles são escolhidos para serem apresentados ao presidente e diretores.
O SEQ, que tem duração de dez semanas, forma orientadores e facilitadores para o grupo ligado ao “chão de fábrica” - operários e prestadores de serviço, como telefonistas e porteiros. Nos “Grupos de Trabalho para a Qualidade” (GTQ), os profissionais conscientizam-se da necessidade de manter o padrão dos produtos e serviços que oferecem.

Ítalo Vitoriano de Almeida, 30 anos, trabalha como enrolador de bobinas há três anos na ABB. Ele participou do GTQ e conta que o curso mudou sua forma de pensar a produção. “A gente passa a pensar no processo, e não em você e a máquina”, diz. “O curso é muito útil, desde que você o coloque em prática”.Durante o curso, Ítalo fez parte do grupo que reprojetou e sugeriu a substituição de algumas ferramentas de até 30 anos de uso. “Ao trabalhar com qualidade total a gente se sente seguro no que está fazendo e sabe que vai funcionar”, diz. “Eu posso bater no peito e dizer que fui eu quem fez”.

Alonso conta que às vezes o funcionário enxerga a falha no processo e não fala com medo de parecer que a culpa é dele. “Falta nas pessoas a coragem de perguntar o que seus superiores querem”, diz. “Com o curso, damos a todos conhecimento suficiente para se sentirem seguros para sugerir mudanças”, diz Alonso, ao se referir ao que os consultores chamam de “empowerment”, ou seja, a transferência de poder para os operários.

Graças a uma destas sugestões, o processo de prensagem das bobinas foi modificado. Em vez de uma a uma, elas passaram a ser prensadas de três em três. Resultado: uma economia de US$ 25 mil por ano.


(Gazeta Mercantil/Página C10)(Angélica Vilela)

 

 

 

 

 

 

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