
Gerenciando
Serviços
por Philip Crosby
Outro dia, tive uma conversa muito interessante em um avião, com dois
gerentes de hotel. Muito animados, eles me mostraram o programa que desenvolveram para
assegurar que todos os hóspedes de seus hotéis sempre recebessem o que necessitavam.
Trabalhavam para a mesma cadeia de hotéis e viajavam para a reunião de gerência de toda
a rede. Nessa reunião, planejavam apresentar os resultados do programa que eles mesmos
desenvolveram juntos.
O ponto chave do programa consistia em disponibilizar um assistente de
gerência numa mesa no saguão do hotel. Em cada quarto, colocaram um cartão informando
que o hotel tinha uma "linha direta com a gerência". Se os hóspedes tivessem
qualquer problema discavam o número do ramal e o assistente da gerência respondia o
telefone. Se, por qualquer motivo, o assistente não se encontrava no seu lugar porque
estava realizando alguma outra tarefa, a chamada era transferida automaticamente para a
recepção.
A chamada e a reclamação eram registrados no sistema de computação e
o gerente residente podia obter um relatório instantaneamente. Mostraram alguns
exemplares de relatórios que levavam para a reunião. As reclamações mais comuns dos
hóspedes referiam-se as demoras dos serviços nos quartos. Em segundo lugar,
destacavam-se as reclamações referentes a detalhes dos quartos, como por exemplo, a
falta ou a quantidade não suficiente de toalhas.
Em um dos hotéis recebiam uma média de 23 chamadas por dia pela linha
direta com a gerência. No outro, a média era de 34 chamadas. Nos seis meses desde que o
programa foi colocado em prática, as quantidades de chamadas diárias mantinham-se
razoavelmente estáveis.
- "Realmente, estamos oferecendo um excelente serviço a nossos
hóspedes", disse um dos gerentes, entusiasmado. "Resolvemos todos os problemas
dentro de, no máximo, 20 minutos e temos como meta reduzir o tempo de resolução para 15
minutos, até fim de ano."
Eu respondi que, aparentemente, os mesmos problemas voltavam a acontecer
uma e outra vez; parecia-me que as ações corretivas não resultavam muito eficazes .
Continuei dizendo que, de fato, o que eles estavam fazendo era apenas remediar os
problemas temporariamente e de um modo muito caro.
Meio sem jeito, eles repetiram toda a história novamente para terem
certeza que eu não tinha entendido mal.
-"O que achariam se instalássemos seu sistema neste avião?"
perguntei. "Por exemplo, se ficarmos sem combustível durante o vôo, poderíamos
telefonar diretamente para a gerência da companhia e eles mandariam alguém para nos
reabastecer. Acho que eu não gostaria muito disso".
-"O que o senhor, recomenda fazer, então?" um deles
perguntou.
-"Prevenir, prevenir, prevenir," respondi. "Que cada
problema seja uma oportunidade para aprendermos o que deve ser feito para que nunca mais
volte a acontecer esse problema. Na realidade, os hospedes, não gostam de telefonar
diretamente para a gerência. Eles preferem tratar de sua própria vida."
-"Então, o senhor está dizendo que o que nós chamamos de
'serviço ao hóspede' é apenas uma outra maneira de dizer 're-trabalho'?" ele
perguntou.
-"Exato," eu disse. "A melhor maneira de servir seus
clientes é não torná-los parte do problema". |