Existe um antigo ditado Inglês que diz o seguinte: "Tudo mundo fala
sobre o mau tempo mas ninguém faz qualquer coisa a respeito". É assim que eu sempre
me senti em relação ao "Custo da Qualidade". Sempre foi um assunto muito
discutido, muitos comitês foram organizados para examiná-lo, dezenas de relatórios
foram escritos e sempre é tema de todos os Congressos e Seminários sobre Qualidade. Mas,
apesar de tudo isso, nada acontece com ele nem por causa dele.
Isto sempre me preocupou e me desorientou. Até que
um dia, percebi que a fórmula do Custo da Qualidade era vista como uma espécie de
evento, como o mau tempo. Era interessante estudá-lo, mas não havia muito que se pudesse
fazer a respeito. Era como um imposto que a organização pagava; como uma taxa para
conseguir que as coisas fossem feitas. Os valores eram calculados pelo Departamento da
Qualidade e se classificavam em "Falhas"(internas e externas),
"Prevenção" e "Inspeção". Faziam-se grandes esforços para
determinar qual o equilíbrio certo de cada um destes componentes. O valor total do Custo
da Qualidade raramente excedia 5% do valor das vendas. Era um assunto interessante mas
não muito importante.
Eu sabia que muitas coisas eram feitas de modo errado nas empresas e que
devia ser possível descrevê-las e medi-las de maneira profissional. Logo, a área
financeira necessitava ser envolvida, para que essas medições pudessem ser incorporadas
ao sistema de contabilidade. Não adianta criar um relatório financeiro que não seja
útil para a Direção.
Eu sempre defini a qualidade como sendo "o
cumprimento dos requisitos". Ou seja, precisamos determinar o que devemos fazer para
produzir nossos serviços e produtos e, em seguida, necessitamos adotar as ações
necessárias para que isso aconteça. Quando as coisas não se saem bem, necessitamos
reparar, remediar, adequar ou, de alguma maneira, endireitar. Isto envolve custos
adicionais que não eram parte do plano de fazer as coisas certo desde a primeira vez.
Decidi chamar isto de "Preço do Não-Cumprimento" (PNC).
Trabalhando junto com o pessoal de contabilidade, conseguimos identificar
áreas cujo trabalho era conseqüência de não fazer coisas de maneira correta desde a
primeira vez. Relacionamos coisas como: serviço ao cliente, retrabalho, reprocesso,
sucata, refugo, descarte, garantias, devoluções etc. Rapidamente, a somatoria dos
valores destes itens era superior ao equivalente de 20% das receitas. Quando aprimoramos
essa relação, os valores excediam essa importância.
Conseguimos, desta maneira, um método financeiro
para medir a qualidade e, simultaneamente, uma forma de identificar as áreas que
necessitavam de ações corretivas. Ao invés de relatórios anedóticos sobre a
qualidade, informamos valores monetários reais, como faziam as outras áreas da
organização e, logo já não era necessário convencer a direção a interessar-se pela
qualidade. Agora estavam lutando para eliminar o PNC.
Durante muitos anos procurei, em meus livros, ensinar as pessoas a
entender o conceito do PNC e incorporá-lo em seus sistemas, mas os resultados eram
inconsistentes. Vários dos meus livros tratam do assunto, como, por exemplo,
"Qualidade sem Lágrimas", mas as pessoas pediam mais informações.
Recentemente lançamos um novo workshop visando
superar o problema. Através deste workshop realizado "in company", as diversas
áreas da organização, sob a orientação da área de qualidade e com o envolvimento da
área financeira, identificam, medem e calculam o valor do PNC e encaminham as ações
gerenciais para reduzi-lo.
O novo workshop
já está disponível em vários países, inclusive o Brasil. A resposta inicial tem sido
dramática. Os clientes estão muito satisfeitas, porque as áreas da Qualidade fizeram
aparecer valores reais e úteis. Pela primeira vez estão apreciando o trabalho feito em
nome da Gestão da Qualidade.