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Entendendo a Direção

Por Philip Crosby*

Durante um recente congresso da American Society for Quality eu tive a oportunidade de conversar com muitos profissionais da qualidade que visitaram nosso stand. O problema que eles mais mencionaram foi a respeito de seu relacionamento com a direção, ou mais precisamente, a falta de relacionamento. Muitos deles compraram minha autobiografia (Quality and Me: Lessons From an Evolving Life) para ler sobre como eu lido com os conflitos duradouros entre a direção e os funcionários.

Em resumo, o problema reside com os profissionais da qualidade e não com a direção. De fato, não é que os executivos não se interessem com a qualidade, pois eles realmente se importam. Mas eles não entendem a qualidade e não sabem como lidar com ela para que se torne numa vantagem em vez de um problema. A tarefa principal da direção é criar uma organização confiável e a qualidade encontra-se no fundo dessa tarefa. Desafortunadamente, os profissionais da qualidade ainda não tiveram um bom desempenho em comunicar a direção a importancia que a qualidade tem para a organização. Estes são os motivos:

  1. Os profissinais da qualidade não conhecem a linguagem da direção. Os executivos falam das finanças, do marketing, dos clientes e tais coisas. Todos esses assuntos tem palavras chaves, com significados específicos e números para medir como estão progredindo.

  2. Os profissionais não conhecem a linguagem da qualidade. Qualidade não é um adjetivo, é um substantivo; não quer dizer boa qualidade, significa fazer aquilo que você afirmou que faria. A direção se afasta daqueles que falam de relativa boa qualidade. Nenhuma ação gerencial origina-se de um pacote de procedimentos. Os executivos aceitam a ISO9000 por ser uma necessidade de marketing, mas não pensam bem de alguém que ache que ela influirá de alguma maneira na conformidade dos resultados dos processos. A direção pensa em números; somente entendem e se dedicam a qualidade quando são informados do valor do preço do não-cumprimento (PNC). O custo da qualidade, não os impressiona, ele é enxergado como se fosse um imposto. (para ensinar como identificar e calcular o PNC o Quality College da Philip Crosby Associates oferece o Workshop do Preço do Não-Cumprimento). Os executivos são pessoas muito ocupadas e esperam que seus líderes funcionais possam explicar em poucas palavras o que fazem.

  3. Os profissionais da qualidade não têm uma boa imagem de si mesmos. Eles precisam dedicar-se a tornar sua organização confiável. Eles serão reconhecidos por esse mérito e serão apreciados. Esta é a origem do dinheiro e do status.

  4. Os profissionais da qualidade não aprendem bem das experiências não técnicas de outros. Eu passei de inspetor de uma linha de montagem a diretor departamental em seis anos e, dali, para vice presidente corporativo da décima primeira empresa das 500 maiores da revista Fortune em mais 7 anos. Fundei minha própria empresa 14 anos depois e em seguida coloquei suas ações na bolsa. Fui bem sucedido porque fui útil e confiável. Nenhum dos conhecimentos técnicos de controle da qualidade que adquiri através dos anos não me ajudaram nem minimamente nesse sentido.

  5. Os profissionais da qualidade pensam que a qualidade é um assunto técnico e de procedimentos. Eles focalizam nas ações corretivas em vez da prevenção, não desenvolvem relacionamentos e valorizam desmedidamente as certificações.

A solução dos problemas dos profissionais da qualidade não exige a desintegração e reconfiguração da direção nem um novo conjunto de normas e procedimentos. Ela está em suas próprias mãos.

 

 

 

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